Revista ACP julho

AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL JULHO 2026 | 17 O automóvel continua sem alternativa A esmagadora maioria continua dependente do automóvel. Para o presidente do clube, a solução vai surgir quando se entender que a mobilidade começa "à porta de casa" e que muitas famílias continuam sem alternativas eficazes para as deslocações diárias, sobretudo nos movimentos pendulares entre os concelhos periféricos e Lisboa. Carlos Moedas não contesta, mas insiste que a solução passa por criar incentivos como a expansão dos parques dissuasores, o investimento na rede de transportes e o compromisso de Lisboa com a neutralidade carbónica até 2030. "O erro é pensar que as pessoas mudam porque lhes complicamos a vida", diz, afastando taxativamente a possibilidade de implementar uma taxa de congestionamento semelhante à existente em Londres: “É bom recordar que esses passos ocorrem em cidades muito mais ricas e com populações que têm um nível de vida muito diferente do de Lisboa. Seria absolutamente impensável castigar as pessoas com mais impostos”, argumenta o autarca. Estacionamento divide prioridades O estacionamento é outro tema divergente, com Carlos Barbosa a defender um forte investimento em parques de estacionamento, propondo uma redução do preço dos parques cobertos, de forma a libertar espaço público. Por seu turno, Moedas responde destacando os parques criados pela EMEL e as parcerias com empresas privadas para disponibilizarem os parques fora do horário comercial. Mais fiscalização A necessidade de reforçar a fiscalização nas ruas é defendida de forma quase unânime. Carlos Barbosa defende um Código da Estrada mais exigente, com penalizações mais severas para infrações graves, considerando que a prevenção, por si só, já não é suficiente para alterar comportamentos. Moedas, por sua vez, apela a uma mudança cultural na forma como se conduz dentro das cidades e insiste na necessidade de mais efetivos para a Polícia Municipal, lembrando que Lisboa perdeu cerca de um terço dos seus agentes nos últimos anos devido às reformas e às dificuldades de recrutamento. No final das contas, fica claro que, sem uma estratégia partilhada entre os 18 municípios, dificilmente a Área Metropolitana de Lisboa vai vencer os desafios da mobilidade. "Este estudo veio mostrar o óbvio, que a mobilidade das pessoas faz-se no conjunto da metrópole. Por isso, os 18 municípios têm de trabalhar em conjunto" Fernando Paulo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira "O metro tem projetos para alargar a sua rede à restante área metropolitana, seguindo a tendência de fixação das pessoas fora de Lisboa" Mahomed Bashir, administrador do Metro de Lisboa "A Carris tem um papel insubstituível e temos grandes desafios de alterações de paradigmas no serviço que entrega, desde a renovação de frotas. Mais de metade dos km que a Carris faz em Lisboa são feitos por veículos eletrificados" Carris

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