WWW.RALLYDEPORTUGAL.PT 60 Mais do que rivalidades diretas, havia domínio – mas um domínio constantemente ameaçado por episódios quase míticos: noites em Sintra, nevoeiro em Arganil, classificativas onde sobreviver era quase tão importante com ser o mais rápido para alcançar a vitória. Mikkola vs Alén: o duelo que antecipou o futuro Os anos 80 trouxeram mudanças profundas no mundo dos ralis, e o Rally de Portugal não lhes ficou alheio. Ainda uma prova marcada pela dureza e exigência mecânica, o “melhor rali do mundo” foi palco em 1984 de um duelo de tal forma épico que até acabou eternizado no cinema. Conhecedor profundo da prova portuguesa, Markku Alén aos comandos do seu Lancia 037 tentava travar a progressão inevitável da tecnologia num confronto com Hannu Mikkola e o seu Audi Quattro A2. Tração integral contra tração traseira num duelo que não opôs apenas pilotos. Era uma mudança de paradigma, uma transformação no mundo dos ralis. E Portugal, com as suas classificativas rápidas e traiçoeiras, foi o laboratório perfeito. A vantagem caiu para Mikkola que, aos comandos do “pai” dos carros de rali modernos, se impôs a Markku Alén com uma magra vantagem de apenas 27 segundos. O paradigma mudava, mas os heróis de outrora “caíam de pé”. Mudam-se os tempos, mudam-se os rivais O fim do Grupo B trouxe mudanças profundas ao mundo dos ralis, mas não reduziu a rivalidade e a emoção nos troços do Rally de Portugal. Prova disso são as duas vitórias de Carlos Sainz, conhecido como “El Matador” na prova nacional. Em 1991, aos comandos de um Toyota Celica GT4 venceu Didier Auriol num Lancia Delta Integrale por apenas 47 segundos. Na sua segunda vitória em Portugal, o espanhol teve uma vantagem ainda mais magra: apenas 12 segundos separaram o seu Subaru Impreza do Toyota Celica GT-Four de Juha Kankkunen. Ao longo da década, o espanhol protagonizou mais alguns confrontos épicos, mas sem igual sucesso. Em 1998, Sainz foi batido pelo escocês Colin McRae, ao volante do Subaru Impreza WRC, que se impôs por uma margem ínfima de apenas 2 segundos sobre o espanhol. Um dos duelos mais apertados da história do Rally de Portugal, este duelo foi um claro exemplo do equilíbrio competitivo entre carros e pilotos de topo numa das épocas douradas dos ralis.
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