Revista ACP julho

6 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL JULHO 2026 “ACP é um clube, no melhor sentido da palavra” Paulo Saragoça da Matta ainda conserva na memória o cheiro do seu primeiro carro e as noites que lá passava a ouvir rádio Qual foi o seu primeiro carro? Um Mitsubishi Colt-Galant de 1973. Foi o carro da minha infância, herdei-o aos 14 anos e confesso que desde essa altura comecei a conduzi-lo. Correspondeu às suas expectativas? Totalmente. Para um miúdo de 14 anos ter um carro com boa cilindrada, lindo, quase único em Portugal, com o volante em pele à direita, estofos integrais em pele, rádio com pré-seleção de estações, faróis acrescidos de nevoeiro… enfim, era o meu sonho. Chegava a ir sentar-me dentro dele, principalmente ao serão, para ouvir rádio e ver os manómetros todos iluminados. E o cheiro, ficou-me até hoje na memória. Quais foram as primeiras viagens que fez com ele? Todas aquelas entre Lisboa, Oeiras e Cascais, para sair à noite. O que mais apreciou nele? O design, o desempenho ou a liberdade que lhe proporcionava? Tudo isso mais o facto de ser o único miúdo de 14 anos a ter um carro, que conduziu com regularidade até 1992. Sente saudades desse carro? Imensas saudades, principalmente porque investi muito nele. E não me saía era barato, porque muitas peças tinham de ser feitas e custavam fortunas. Teve-o durante quanto tempo? De 1986 a 2010. E só o perdi porque a oficina onde ele estava guardado faliu e o seu acervo desapareceu, mas depois soube que o carro tinha sido “abatido”, não oficialmente, claro. Quem foi abatê-lo oficialmente, por ter sido destruído, fui eu. Considera-se um condutor diferente do que era nessa altura? Muito. É a diferença que vai dos 15, 20 anos até aos mais de 50… Mitsubishi Colt-Galant de 1973 desenhado por Paulo Saragoça da Matta Costuma ter muitos azares na estrada? Graças a Deus, muito raramente. Quando os tem, conta com a ajuda do ACP? Conto, naturalmente. Para si o ACP é sinónimo de… Clube, no melhor sentido da palavra.• Entrevista

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