Nº 805 l MARÇO 2026 l PVP 2,50€ l PeriodicidadeTrimestral l Diretora Rosário Abreu Lima Combustíveis O que nos espera? ACP – Pingo Doce Cartão presente dá 50€ em compras e só paga 45€ ACP Elétrico do Ano Conheça todos os candidatos e vote Impacto recorde Vodafone Rally de Portugal gerou mais de 193 milhões de euroa na economia
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AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 3 oportunidades para fazer reformas há muito adiadas. Sem falar do efeito colateral de a A8 se ter tornado, efetivamente, uma alternativa real à A1 – pese embora o cenário das áreas de serviço abandonadas – da rede de estradas, ferrovia, linhas de alta tensão e até a construção civil, são muitas as reformas que podem e devem ver agora a luz do dia. Com um PRR aos soluços e em contrarrelógio, surge agora um PTRR que se espera célere e eficaz na sua execução Com um PRR aos soluços e em contrarrelógio, surge agora um PTRR que se espera célere e eficaz na sua execução. Há vontade, há necessidade e quem ficou sem casa, empresas ou bens pessoais, não pode esperar. Bruxelas concorda, mas não há almoços grátis. Está na mão do Governo tomar as rédeas do processo e fazer acontecer. E cá estamos de novo às voltas com a escalada do preço dos combustíveis. Até quando não sabemos, mas a receita dos anteriores governos mantém-se: uma almofadinha bonificada no ISP e é esperar que os mercados estabilizem. Mais uma oportunidade perdida para reformar o sistema fiscal sobre o setor automóvel, altamente penalizadora da economia. Seis anos, seis ministros e uma média de 600 mortos nas estradas por ano. Um número que nos envergonha enquanto sociedade, com consequências diretas na economia e nos contribuintes. Sem estratégia para atacar de frente e pela raiz a insegurança rodoviária, sucedem-se os anúncios de boas intenções, de acertos de pormenor e desfilam governos e ministros aparentemente sem olhar para o elefante na sala. O novo ministro da Administração Interna herda, é certo, um trabalho gigante na reforma da proteção civil, e na verdade a expetativa é de que faça uma reforma de alto a baixo. Por isso mesmo, pode e deve aproveitar a energia de quem começa para gizar uma estratégia nacional de segurança rodoviária, adaptada à realidade e com foco na eficiência. Um bem precioso para a economia, para a saúde e para os cidadãos. A tempestade que se abateu na região centro do país em finais de janeiro deixou um rasto de destruição massiva, mas, bem vistas as coisas, abriu toda uma janela de Seis anos, seis ministros e uma média de 600 mortos nas estradas por ano. Um número que nos envergonha enquanto sociedade, com consequências diretas na economia e nos contribuintes Editorial Oportunidades perdidas e outras a não perder CARLOS BARBOSA PRESIDENTE DO AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL
4 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 AGENDA 23 A 30 DE MAIO VIAGENS DE ASSINATURA S. Tomé e Príncipe 7 A 10 DE MAIO DESPORTO Rally de Portugal Receba todas as semanas a newsletter da Revista ACP Basta fazer a sua subscrição em acp.pt ou seguir o link no QR Code. SUMÁRIO Visite as plantações de cacau que dão origem aos mais sofisticados chocolates do mundo Vodafone Rally de Portugal regressa com mais dias e novidades nas regiões Centro e Norte 13 E 14 DE JUNHO VIAGENS DE ASSINATURA Rota dos Templários Venha passar um grande fim de semana com o ACP em Dornes, Almourol e Tomar 32 7 6 Impacto recorde ACP Conecta O 1º carro de Paulo Fiúza Doenças graves O papel do Vodafone Rally de Portugal na economia O seguro é o melhor amigo quando o perigo espreita Tempestade Saiba como reclamar se o seu carro foi destruído Unir a comunidade pela conexão social O vencedor do Dakar nos camiões recorda aventuras ao volante do Ford Escort MK3 PROPRIEDADE E EDIÇÃO Automóvel Club de Portugal,pessoa coletiva de utilidade pública nº 500700800 e matriculada na Conservatóriado Registo Comercial sob o mesmo número, com sede na Rua Rosa Araújo, 24-26, 1250-195 Lisboa SEDE DA REDAÇÃO Rua Rosa Araújo 24-26, 1250-195 Lisboa 213 180 100 / [email protected] DIRETORA Rosário Abreu Lima REDAÇÃO Francisco Costa Santos João Delfim Tomé José Varela Rodrigues Mário Leite de Vasconcellos EDIÇÃO GRÁFICA Inês Bento FOTOGRAFIA Arquivo ACP, iStock, Lusa, Afonso Cruz Pinto DIRETOR COMERCIAL Tomaz Alpoim PUBLICIDADE Francisco Cortez Pinto Elizabette Caboz DIRETOR GERAL COMERCIAL Luís Figueiredo IMPRESSÃO Lidergraf | Sustainable Printing, com sede na Rua do Galhano, nº 15, 4480-089 Vila do Conde TIRAGEM MÉDIA 181.000 exemplares PERIODICIDADE Trimestral O ACP é alheio ao conteúdo de publicidade externa. A sua exatidão e/ou veracidade é da responsabilidade exclusiva dos anunciantes e empresas publicitárias. ISSN 0870-273X Depósito Legal nº 2675/83 Nº de Registo ERC 100226 Estatuto editorial em acp.pt Nº 805 MAR 2026 30 DE ABRIL ACP GOLFE Sunset Golfe Tour Primeira prova noturna deste torneio que vai disputar-se no Jamor é uma das novidades para 2026 28 DE MARÇO ACP CLÁSSICOS Passeio dos Alemães O melhor da indústria germânica regressa à estrada com partidas de Lisboa e Porto 10 DE ABRIL ACP CLÁSSICOS 500 Milhas ACP Prova de regularidade volta a reunir máquinas construídas nas décadas de 50, 60 e 70 C M Y CM MY CY CMY K
6 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 “O ACP é sinónimo de segurança e garantia” Paulo Fiúza foi o primeiro português a vencer o Dakar em 2026, na categoria dos camiões. Depois dessa grande conquista, o navegador viaja no tempo para recordar o seu primeiro carro Qual foi o seu primeiro carro? Foi um Ford Escort MK3. E qual é a melhor recordação que guarda desse carro? A liberdade que ele me proporcionava. Até que ponto ele contribuiu pelo sonho que sempre teve pela competição? Não posso dizer que tenha sido o meu primeiro carro o principal impulsionador para a competição, mas sim os ralis que assisti quando tinha 7 ou 8 anos. Mas alguma vez chegou a conduzi-lo como se estivesse numa pista de corridas? Isso, sim. Muitas vezes. Fazia troços do Rali de Portugal (Gradil) a fazer tempos e a tentar melhorá-los. O que mais aprecia nos automóveis? A potência e as linhas desportivas. Mas os camiões também lhe são especiais… Sim, sem dúvida. O meu pai era camionista e sempre que podia acompanhava-o. E quando cumpri o serviço militar também desenvolvi esse gosto. Que tipo de condutor se considera quando não está a competir? Calmo, tranquilo e cumpridor para minha segurança e a dos outros. E os portugueses, o que pensa deles ao volante? Antes demais, penso que os critérios estabelecidos nas escolas de condução deveriam ser revistos para a prática de uma condução mais preventiva. Costuma ter muitas azares na estrada? Felizmente, não. Ford Escort MK3 desenhado por Paulo Fiúza Mas quando acontecem pensa no ACP? Sim, sem dúvida. Para si o clube é sinónimo de… Segurança e garantia. • Entrevista
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8 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Governo fez regressar bonificação no ISP, Bruxelas torce o nariz, défice espreita e a incerteza domina mundo A instabilidade num dos principais centros globais de produção e circulação de petróleo levou os mercados a antecipar possíveis perturbações no abastecimento, pressionando em alta o preço do crude que registou já a maior subida desde 2022, com um elevado potencial de contagiar toda a economia mundial. Para se ter uma ideia dos efeitos deste conflito, a 9 de março, o preço do barril de Brent, referência para a Europa, ultrapassou os 118 dólares (102 euros) nos mercados internacionais, valores muito acima (cerca de 42%) do preço médio considerado pelo Ministério das Finanças no Orçamento do Estado para 2026. Escalada dos combustíveis alarma mercados e consumidores O choque nos mercados energéticos refletiu-se rapidamente em Portugal, com o litro do gasóleo a ultrapassar os dois euros. A almofada no ISP é suficiente? Perante o aumento abrupto dos preços, o Governo optou por reativar um mecanismo de mitigação fiscal através do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), uma medida já utilizada durante a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia. O objetivo passa por atenuar o impacto das subidas semanais nos preços finais pagos pelos consumidores. Assim, na primeira atualização após o início do conflito, foi aplicado um desconto extraordinário, e temporário, de 3,55 cêntimos por litro no gasóleo. Sem este apoio, o aumento médio teria atingido os 23 cêntimos por litro; com a intervenção fiscal, a subida ficou em cerca de 19 cêntimos. Tema de Capa Agência Internacional de Energia, que inclui Portugal, decidiu libertar 400 milhões de barris de petróleo para conter subida dos preços
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 9 No caso da gasolina, o mecanismo não foi acionado, uma vez que a subida registada (7 cêntimos) ficou abaixo do limiar de 10 cêntimos definido para ativar o desconto. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, explicou que o mecanismo funciona de forma cumulativa e tem como referência os preços registados a 6 de março. Isto significa que, se os combustíveis voltarem a subir nas próximas semanas, o desconto pode aumentar proporcionalmente, acumulando-se com novos apoios sempre que o diferencial ultrapasse o limite estabelecido. O governante assegurou também que a medida foi comunicada à Comissão Europeia e manifestou confiança de que Bruxelas não levantará objeções. Segundo Miranda Sarmento, trata-se de uma intervenção extraordinária e temporária destinada a mitigar o impacto de choques externos nos preços da energia. Portugal vai libertar 10% das reservas de petróleo Mexer no ISP, contudo, pode não ser suficiente para mitigar a escalada do preço dos combustíveis. Por isso, o Governo também decidiu libertar até 10% das reservas estratégicas do país, associando -se ao acordo dos países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) que decidiram libertar nos mercados, em conjunto, 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas. “Vamos partilhar com vários parceiros à escala internacional aquela que foi uma das conclusões da reunião do G7 e vamos disponibilizar uma parte importante, em princípio 10%, das nossas reservas estratégicas para poder haver mais oferta e maior contenção no preços dos combustíveis”, anunciou o primeiroministro, Luís Montenegro. Esta é a sexta vez que a AIE coordena a liberação de reservas estratégicas de petróleo. Com a libertação dos 400 milhões de barris de petróleo, mais do que o dobro da intervenção recorde anterior da agência no início da guerra na Ucrânia, quando libertou 182 milhões de barris de petróleo bruto, pretende-se compensar o abastecimento perdido devido ao encerramento efetivo do Estreito de Ormuz. Marcas automóveis sofrem com crise A par da subida vertiginosa do preço dos combustíveis, segundo uma análise da agência DBRS, a guerra no Irão vem criar "uma nova camada de pressão macroeconómica e geopolítica” na indústria automóvel europeia. Ainda a recuperar dos efeitos da pandemia, em 2020 e 2021, da escassez de semicondutores, do impacto da guerra na Ucrânia nos preços energéticos em 2022, e quando várias marcas procuram equilibra-se entre a agressiva diplomacia económica dos EUA e a concorrência chinesa, o conflito no Médio Oriente vem perturbar novamente cadeias de abastecimento, procedimentos logísticos, aumentando custos energéticos e preços das matérias-primas. As marcas dos grupos Stellantis, Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW, e das japonesas Nissan e Honda são as mais expostas. Apoios pedidos também para o gás Apesar de reconhecer a importância da intervenção governamental, as empresas apontam limitações à medida. "Se o Governo admite intervir no ISP para amortecer aumentos previstos nos combustíveis líquidos, deve igualmente prever e acionar um mecanismo equivalente para o GPL engarrafado", defende a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). Marcas dos grupos automóveis Stellantis, Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz, Honda e Nissan são das mais expostas à Guerra no Irão
10 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Tema de Capa Perante o aumento tão acentuado do preço dos combustíveis, a solução encontrada pelo Governo, de aplicar um desconto no ISP, é a mais eficaz? Perante o aumento acentuado do preço dos combustíveis a solução do Governo é curta. É preciso fazer mais. O Estado português aumenta muito a sua receita fiscal quando existem aumentos acentuados e não previstos do preço dos combustíveis. Numa situação de grave crise energética provocada por uma guerra sem precedentes no Golfo Pérsico, que se generalizou a toda a região que é o coração do sistema energético internacional, é importante um apoio extraordinário aos custos dos combustíveis devolvendo aos contribuintes – famílias e empresas- uma parte significativa da receita extra que advém para os cofres do Estado provocada pela guerra. Do ponto de vista fiscal, isto é uma medida neutra porque o Estado recebe sempre o que estimou no Orçamento, não deve ser "guloso" relativamente ao diferencial e deve usá-lo para apoiar as famílias, as “A economia mundial não pode aguentar cinco ou seis semanas com o Estreito de Ormuz fechado” ENTREVISTA O país tem reservas estratégicas que pode usar para evitar falhas no aprovisionamento e é importante o Governo, desde já, estar concertado com os parceiros europeus para prevenir situações mais delicadas O antigo ministro da Economia António Costa Silva defende apoios às famílias e às empresas muito além da redução do ISP empresas e o funcionamento da economia. Que outras opções poderiam ser tomadas para que as subidas do preço dos combustíveis não sejam tão gravosas nas próximas semanas? Sobre outras opções que poderiam ser tomadas sugiro a análise das medidas tomadas em 2022 pelo XXIII Governo Constitucional, a que pertenci, para fazer face à crise
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 11 energética criada com a guerra da Ucrânia: um pacote de 6000 milhões de euros de ajuda às famílias e às empresas; a redução do ISP na gasolina e no gasóleo, com a redução significativa da carga fiscal o que ascendeu a 1500 milhões de euros; a majoração em IRC de gastos com energia e produtos para os setores económicos mais afetados; um apoio extraordinário aos custos com combustíveis em determinados setores económicos como a agricultura; um pacote de apoio às indústrias intensivas no uso de energia; a redução do IVA da eletricidade; a implementação do Mecanismo Ibérico de limitação do preço da eletricidade desligando-o do gás, beneficiando milhares de consumidores expostos ao preço spot no mercado; a transição para o mercado regulado de Gás Natural, que permitiu uma poupança até 70% e beneficiou 1,3 milhões de consumidores. Assumindo que os preços vão continuar a subir até o conflito no Médio Oriente se pacificar, e havendo a possibilidade de um efeito de contágio a outros setores da economia, há algum risco de o país registar escassez de combustíveis, num cenário de corrida às bombas de gasolina? Penso que para já não se configura um cenário de escassez de combustíveis. O país tem reservas estratégicas que pode usar para evitar falhas no aprovisionamento e é importante o Governo, desde já, estar concertado com os parceiros europeus para prevenir situações mais delicadas. Uma coisa é certa: a economia mundial não pode aguentar cinco ou seis semanas com o Estreito de Ormuz fechado e o planeta privado do aprovisionamento do Golfo Pérsico e por isso o problema da guerra deve ser resolvido o mais depressa possível para evitar uma recessão global. Este aumento de preços penalizou mais o gasóleo do que a gasolina, colocando o preço do diesel acima do preço da gasolina. Por que motivo isso aconteceu? A maior penalização do preço do gasóleo do que da gasolina deve-se a um conjunto de fatores. O mercado da cada um dos combustíveis tem especificidades próprias e há nesta altura uma maior procura de diesel não só na Europa como no mundo. Há deficiências e falhas na oferta de diesel e desde logo na Europa, que há muito tempo não abre novas refinarias, e com a política energética agressiva que adotou, fechou muitas unidades. O processo de descarbonização da economia é vital para o futuro mas deve ser feito com inteligência, de forma gradual, e sem criar fragilidades excessivas que ficam expostas quando ocorrem crises como esta. A isto acresce outro fator decisivo: a Europa hoje compra pouco petróleo do Golfo Pérsico, mas o mesmo não se passa com o diesel. 20% do diesel que a Europa consome transita pelo Estreito de Ormuz e o seu encerramento fez disparar os preços. As chamadas "diesel crack spreads", isto é, as margens que os refinadores ganham quando produzem diesel explodiram a seguir à eclosão do conflito e estão a afetar o mercado. Quando o preço do petróleo baixa, as gasolineiras e os comercializadores levam algumas semanas a refletir essa diminuição no valor final do diesel e da gasolina. Mas quando há aumentos, os preços tendem a subir no consumidor de imediato. Por que motivo isto acontece? Sobre o facto de quando os preços baixam existir normalmente mais tempo para essas baixas se refletirem no preço final dos combustíveis e quando há aumentos os preços tenderem a subir de imediato, isso é assim regra geral. É um fenómeno conhecido por "histerese" no comportamento dos preços, devido à maior inércia dalguns operadores para atuarem de imediato quando os preços baixam. De qualquer forma é um problema estudado há muito e a maior intervenção do regulador e a monitorização e fiscalização contínua dos preços tem feito o seu caminho e tem contribuído para a suavização e diminuição deste problema. O mercado, com uma regulação eficaz e inteligente, consegue muitas vezes corrigir as distorções.• O mercado, com uma regulação eficaz e inteligente, consegue muitas vezes corrigir as distorções.
12 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Tema de Capa Desde a extração do crude (petróleo não refinado) até ao depósito dos nossos veículos, cada gota passa por várias etapas até se tornar combustível. Nesse processo, o preço evolui à escala de cada etapa até totalizar os valores que pagamos nas ‘bombas’ pela gasolina ou gasóleo Como Portugal não produz petróleo, o país está dependente da importação da matéria-prima, que transformada nas refinarias em combustíveis.Na negociação da matéria-prima, há dois índices de referência – o Brent e o West Texas Intermediate (WTI). É a cotação dos dois índices que vai orientando os preços da comercialização do crude. O Brent, que é negociado na bolsa de Londres, serve de referência para Portugal e visa os barris de petróleo com origem no Mar do Norte. A cotação do crude é fixada em dólares. Logo, se o dólar valoriza face ao euro, significa que para comprar a mesma quantidade de crude é necessário gastar mais euros, o que terá reflexo no cálculo do preço final dos combustíveis. Da mesma forma, quando se verifica uma valorização do euro em relação ao dólar, pode ocorrer uma redução dos preços nos postos de abastecimento. Depois de refinados, a gasolina e o gasóleo, que são produtos derivados do petróleo, têm a sua própria cotação. Por essa razão, o Fonte: Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos Impostos representam mais de 50% do preço final que todos os consumidores pagam pelo diesel e gasolina , ar Como são formados os preços dos combustíveis? preço final dos combustíveis pode ir além da cotação do Brent. Nesta estrutura de preços pesam, ainda, as diferentes tensões geopolíticas com especial foco no Médio Oriente. Não só parte significativa do petróleo é produzido na região, como cerca de 20% do comércio passa pelo Golfo Pérsico. Por isso, é frequente os preços oscilarem de forma mais acentuada, devido à redução da oferta dos produtos refinados, quando há um conflito na região. Outra condicionante do preço final é o custo do transporte (frete) desde os poços às refinarias e, posteriormente, para os destinos finais. Podem representar até 30% do preço final cobrado aos consumidores, pelo armazenamento e pela distribuição dos combustíveis. Além dos mercados internacionais, os preços praticados nas bombas de gasolina são impactados também pela incorporação de biocombustível, que é obrigatória na União Europeia. A percentagem de incorporação é determinada anualmente pelo Estado, de acordo com as metas europeias.Após as cotações em bolsa, as taxas cambiais, custos logístico e a incorporação de biocombustíveis, entra no cálculo a carga fiscal. Em Portugal, a carga fiscal da gasolina e do gasóleo incluem o Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) e o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Os últimos dados disponibilizados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) indicam que os impostos representam mais de 50% do preço final. Ainda têm de ser consideradas as margens comerciais de cada operador. Ou seja, os preços que pagamos pelos combustíveis resultam também de ajustes consoantes os objetivos comerciais de cada comercializador. • Gasóleo Gasolina
14 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Tema de Capa Vítor Madeira ANALISTA DE MERCADOS DA XTB PORTUGAL OPINIÃO A recente subida dos preços dos combustíveis está diretamente ligada ao agravamento da tensão no Médio Oriente, em particular ao risco em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo e derivados. Sempre que esta região entra em instabilidade, o mercado reage rapidamente, porque passa a incorporar a possibilidade de disrupções na oferta, atrasos logísticos e custos de transporte mais elevados. Ainda assim, isso não significa necessariamente que os combustíveis tenham de continuar a subir de forma contínua nos próximos meses. Muito dependerá da duração e da intensidade da crise. Se o risco geopolítico permanecer elevado e continuar a afetar o transporte marítimo, a pressão sobre os preços pode manter-se. Mas, se houver uma normalização gradual das rotas e uma resposta coordenada por parte dos produtores ou dos governos, o mercado poderá estabilizar. O ponto mais importante é: a pressão não vem apenas do preço do crude. O mercado está tambéma reagir ao aumento dos custos de seguro e transporte, à maior dificuldade na refinação e à menor disponibilidade de alguns produtos finais. Ou seja, o impacto sente-se em toda a cadeia energética, desde a matéria-prima até ao combustível que chega ao consumidor. Para além disso, os atrasos na entrega podem automaticamente agravar os preços. No caso de Portugal, o efeito parece ser mais de contágio do que de exposição direta. Mesmo sem uma dependência comparável à de outras regiões, o mercado europeu está fortemente interligado, o que faz com que qualquer choque internacional acabe por refletir-se nos preços internos. As notícias mais recentes mostram que o G7 optou por uma postura de cautela e espera. Na reunião de 9 e 10 de março de 2026, os ministros das Finanças e da Energia do grupo decidiram não libertar, neste momento, as suas reservas estratégicas de petróleo, apesar dos preços do crude terem atingido quase 120 dólares por barril. Em alternativa, foi pedido à Agência Internacional de Energia (AIE) que avaliasse a situação e elaborasse cenários para uma eventual libertação coordenada. A AIE convocou de imediato uma reunião extraordinária dos seus membros. O peso destas reservas é considerável: só os EstadosUnidos dispõem de 415,4 milhões de barris na sua Reserva Estratégica de Petróleo, a que acrescem 439,3 milhões de barris em reservas comerciais privadas. O Japão conta com 260 milhões de barris em stocks governamentais, equivalente a 146 dias de importações e a Alemanha detém 110 milhões de barris de crude e mais 67 milhões em produtos refinados. França, Itália e Reino Unido somam volumes igualmente relevantes. No total, o G7 controla uma capacidade de resposta que, se mobilizada de forma coordenada, poderia amortecer significativamente qualquer choque de oferta. A decisão de aguardar, e não agir ainda, é em si mesma uma mensagem ao mercado: as grandes economias estão prontas para intervir, mas preferem fazê-lo com de forma coordenada e não por impulso. O impacto tende a ser mais visível no gasóleo do que na gasolina porque o mercado do diesel já se encontra mais sensível, com menor margem de ajustamento da oferta. Além disso, continua a ter um peso muito relevante no transporte e na atividade económica. No atual contexto, mais do que uma escassez imediata, o mercado está a reagir ao risco de ela acontecer, e isso, por si só, já basta para manter os combustíveis sob pressão. Não devemos ainda esquecer que o Brent continua com dificuldades para passar dos 93 dólares de forma sustentada e se os governos continuarem a anunciar que estão dispostos a libertar as suas reservas estratégicas de forma a inundar o mercado, este pode ser um catalisador negativo para o preço. • Combustíveis sob pressão: o que está realmente a mover os preços C M Y CM MY CY CMY K
16 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Quem paga os danos do seu carro depois da tempestade? Um “comboio” de depressões meteorológicas extremas devastou também milhares de automóveis. Se esse foi o seu azar saiba como pode ser ressarcido pelo prejuízo Os cálculos dos prejuízos causados pelas recentes intempéries incluem os veículos estacionados nas vias públicas que ficaram gravemente danificados. Muitos condutores questionam-se: quem assume os custos dos danos? A resposta depende de vários fatores, incluindo o local do acidente e o tipo de seguro automóvel contratado. “É difícil que um evento causado pela força da natureza [como a tempestade Kristin, que assolou sobretudo a zona centro do país] resulte em responsabilidade subjetiva", explica Sérgio Azevedo, advogado do ACP. Ou seja, "é difícil responsabilizar o Estado ou um determinado particular” no caso do seu veículo ter sido destruído na sequência de um fenómeno natural. No entanto, há casos em que é possível responsabilizar a autarquia local ou a entidade pública responsável pela gestão do espaço público, desde que o proprietário do veículo consiga provar que houve negligência ou sinais de risco evidentes ignorados. “Se se conseguir provar, por exemplo, que a vida arbórea estava afetada – desde uma árvore na iminência de cair ou a existência de um relatório fitossanitário a aconselhar o ente público a substituir a árvore ou removê-la – pode haver margem para essa responsabilidade, mas apenas quando o dano ocorre durante a remoção do objeto ou árvore”, explica Sérgio Azevedo. O que precisa fazer 1. Documente os danos Tire fotografias do veículo danificado, da árvore e do local do incidente. 2. Contacte as autoridades Chame as autoridades policiais e camarárias para registar a ocorrência e verificar a segurança do local. 3. Informe a seguradora Caso tenha a cobertura de fenómenos da natureza, contacte a seguradora e envie toda a documentação necessária para iniciar o processo de indemnização. 4. Verifique a responsabilidade Se houver indícios de negligência na manutenção do espaço público pode contactar um advogado ou apresentar um pedido de indemnização ao responsável pelo terreno.
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 17 O papel do seguro automóvel 1. Seguro com Danos Próprios Esta é a opção mais abrangente e cobre danos provocados por causas naturais, incluindo tempestades e quedas de árvores, independentemente da responsabilidade de terceiros. 2. Cobertura de Fenómenos da Natureza Sendo esta uma cobertura de Danos Próprios, é possível incluir no seguro a cobertura específica para eventos climáticos extremos, como tempestades, ventos fortes, inundações e queda de objetos. 3. Seguro de responsabilidade civil do proprietário do terreno Se a árvore pertencer a um particular e este tiver um seguro de responsabilidade civil, poderá ser possível acionar essa apólice para cobrir os danos causados pelo incidente. Além do rasto de destruição, o mau tempo destapou outro problema das estradas portuguesas, sobretudo nos Oficinas sem mãos a medir Os prejuízos provocados pelas tempestades foram demasiados e os veículos danificados deixaram as oficinas sem mãos a medir. Só na região de Leiria, estima-se que a procura por oficinas de bate-chapa e de substituição de vidros cresceu 1000%. Há "centenas de processos" em curso e todos os dias surgem novos pedidos e os proprietários dos veículos têm dado sinais de maior impaciência perante os necessários trabalhos de reparação. ● principais meios urbanos. O número de buracos e fissuras nos pavimentos aumentou e, durante vários dias, a água escondeu autênticas armadilhas. Se por azar, um condutor furar ou tiver um acidente motivado por um buraco na estrada, quem assume a responsabilidade? Segundo o advogado do ACP Sérgio Azevedo “vai sempre depender de quem é que tem a responsabilidade de manutenção da via: pode ser um município, um instituto de estradas ou um concessionário”. O que fazer quando nestas circunstâncias? • Parar imediatamente a viatura, de preferência fora da faixa de rodagem; • Verifique se há no local sinalização referente ao estado da via; • Fotografe o buraco de vários ângulos, bem como os danos causados na viatura; • Fotografe também, se estiver a usar, a localização exata do local no GPS; • Chame a polícia, que será fundamental para pedir uma indemnização, através o auto de notícia, que deve ser pago pelo queixoso (valor não será mais de 20€). O condutor tem três anos para reclamar pelo sucedido, de acordo com a lei. Como pode reclamar? Junte todos os documentos relativos ao caso, incluindo o auto das autoridades e fotos e faça uma participação junto da entidade responsável pela via. A entidade responsável, em resposta, deve ordenar uma peritagem para confirmar a veracidade dos factos. Caso esta recuse ou não responda, o queixoso deve avançar para um processo num tribunal administrativo. Ter um seguro com cobertura de danos próprios pode ajudar não só a cobrir os danos como pode agilizar todo o processo de reclamar uma indemnização pelos estragos. ●
18 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Um plano para “ ninguém ser esquecido” PTRR. Esta é a sigla do programa que pretende fazer face aos prejuízos provocados pelas tempestades que assolaram o país. De onde chega o financimaneto e que eficácia pretende ter no terreno? As tempestades provocaram 18 mortes, centenas de feridos e centenas de desalojados e deslocados. Várias regiões ficaram sem comunicações e sem energia. Segundo a Estrutura de Missão criada para acompanhar a recuperação do país, o rasto de destruição resultou em prejuízos entre os cinco mil e os seis mil milhões de euros. Para fazer face à situação, o Governo criou o programa “Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR). No entanto, de acordo com a Associação Portuguesa de Seguradoras, os danos indemnizáveis cobertos pelas seguradoras e estimados não devem ir além dos 750 milhões de euros. Quer isto dizer que o PTRR tem de ser musculado para, como prometeu o Governo,“ninguém ser esquecido”. Montenegro garantiu que o programa vai usar “todos os recursos financeiros” possíveis a nível europeu e a nível nacional, incluindo dívida pública. “Se for necessário ter um défice orçamental por causa dos apoios extraordinários que não são repetíveis, para resolver o problema de uma situação de calamidade, isso é mau para o país, mas é um mal necessário”, defendeu o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida.Recuperação, resiliência e transformação são os pilares em que o PTRR vai assentar. No capítulo da recuperação encontramse as centenas de estradas nacionais e municipais que ficaram destruídas ou com fissuras significativas. Em meados de março, a GNR dava conta de 174 vias encerradas na sequência do mau tempo. No âmbito da resiliência, o executivo quer aproveitar o PTRR para garantir que o país é capaz de resistir a eventos adversos de larga escala. No que respeita às infraestruturas rodoviárias, o Governo encomendou um grande estudo ao LNEC sobre a capacidade das estradas portuguesas resistirem a fenómenos naturais. PTRR conhecido em abril O programa em concreto só deve ser conhecido em abril. O pilar da transformação vai ser aproveitado para acelerar, por exemplo, investimentos – está por saber quais - e “agilizar” procedimentos de contratação pública, licenciamentos, regras de controlo orçamental e de despesa pública. • C M Y CM MY CY CMY K
C M Y CM MY CY CMY K valorcar_As baterias de veículos elétricos têm muitas vidas _AF_20x26.5cm.pdf 1 10/10/2025 14:31
20 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 6 anos, 6 ministros, zero estratégia Luís Neves é o sexto ministro da administração interna desde 2020, ano em que deveria ter surgido um novo plano nacional para a segurança rodoviária. A grande prioridade do Governo apontada passa pela reforma da Proteção Civil, mas o novo ministro também tem em mãos a aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, um plano que pretende levar à redução em 50% dos mortos e feridos graves nas estradas até 2030. A aprovação de um novo plano poderia pôr fim à inércia do MAI para a situação da segurança rodoviária, num momento em que Portugal é um dos países da União Europeia (UE) com o maior número de mortes nas estradas e, enquanto não houver um plano, os números da sinistralidade pioram ano após ano. De acordo com dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a sinistralidade rodoviária na última década aponta para uma média de 600 mortos e cerca de 2.000 feridos por ano. Outra métrica relevante indica que morrem atualmente 58 pessoas em acidentes de viação por cada milhão de habitantes, em Portugal, um número muito acima da média dos 45 da UE. Uma nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária está desde 2020 na gaveta. Com a entrada de mais um Ministro da Administração Interna e a sinistralidade a bater recordes, será desta? Morrem atualmente 58 pessoas em acidentes de viação por cada milhão de habitantes, em Portugal, um número muito acima da média dos 45 da UE
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 21 Num recente relatório intercalar da Comissão Europeia, Bruxelas alerta que Portugal “não está num bom caminho” para cumprir os objetivos de segurança rodoviária da UE. Cada vez mais acidentes Os anos de 2020 e de 2021, devido à pandemia da covid-19 e aos períodos de confinamento, foram atípicos, logo registaram-se menos acidentes e vítimas que em 2019. O ministro da Administração Interna era Eduardo Cabrita, que antes do período pandémico, chegou a prometer tornar a segurança rodoviária "uma prioridade", porque ninguém se podia conformar com "mais de 500 vítimas mortais por ano na estrada". Palavras que ficaram no éter. Em 2022, com Francisca Van Dunem a acumular a pasta com o Mistério da Justiça até março, altura em que José Luís Carneiro assumiu o MAI, registaram-se 34.275 acidentes com vítimas (473 mortos; 2.436 feridos graves e 40.123 feridos leves). Foi nesse ano que o Governo recebeu a Visão 2030, documento que enquadra e sugere uma orientação para adaptar à realidade nacional o objetivo europeu de reduzir em 50% o número de mortes nas estradas. Com o atual líder do PS no MAI, os dois anos seguintes pautaram-se pela falta de decisão e pelo agravamento da sinistralidade: 36.595 acidentes com vítimas (479 mortos; 2.646 feridos graves; 42.890 feridos leves) em 2023; e 38.037 acidentes (477 mortos; 2.756 feridos graves; 44.618 feridos leves) em 2024. José Luís Carneiro chegou a garantir que iria implementar a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, porque seria “um profundo prejuízo para o interesse público” se tal não ocorresse. Mesmo assim, a ENSR não se materializou. Portugal está sem Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária desde 2020, um plano que pretendia levar à redução em 50% dos mortos e feridos graves nas estradas até 2030 O terceiro governo de António Costa caiu e em abril de 2024, o país tinha um novo governo e Margarida Blasco no MAI. Mas também nada foi decidido. Em 2025, já no segundo executivo de Montenegro, o MAI ficou sob a alçada de Maria Lúcia Amaral. A estatística mais recente sobre o último ano indica 28.975 acidentes com vítimas, entre janeiro e setembro. Destes, registaram-se 337 vítimas mortais, 2.161 feridos graves e 33.976 feridos leves. Segundo a ANSR, houve uma redução de 52% da sinistralidade até setembro do último ano. Mas essa redução não contabiliza as mortes a 30 dias, que é a métrica que permite relacionar os dados com as metas europeias. Já no primeiro mês deste ano registou-se um “grande acréscimo”, em termos homólogos. Dados provisórios indicam que este ano registaram-se 24.172 acidentes, mais 4.583 do que no mesmo período de 2025, que provocaram 70 mortos (mais oito), 278 feridos graves (menos 30) e 5.284 feridos ligeiros (menos 463). Resta saber até quando, Luís Neves ? ● Evolução do número de acidentes com vítimas entre 2019 e 2025
22 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Legislação Condução com tutor: o que pode mudar A proposta que permite aprender a conduzir com tutor está a gerar controvérsia. O Automóvel Club de Portugal alerta para os riscos da medida e defende que a segurança rodoviária não pode ser fragilizada A proposta que permite aprender a conduzir com tutor está a gerar controvérsia. A medida, que ainda será apreciada pela Assembleia da República, provocou críticas e o Automóvel Club de Portugal (ACP) foi das primeiras instituições a manifestar preocupação, alertando para os riscos da alteração. Alternativa às escolas O diploma possibilita que candidatos com mais de 18 anos, que pretendam obter carta da categoria B, realizarem parte da aprendizagem prática acompanhados por um tutor, em alternativa a aulas práticas exclusivamente em escola de condução. Para ser tutor é necessário ter carta há pelo menos 10 anos, não ter condenações rodoviárias graves nos últimos cinco anos e concluir um módulo de segurança rodoviária. Durante a condução acompanhada não é permitido transportar passageiros nem circular em autoestradas. A responsabilidade por infrações ou danos causados pelo candidato é assumida pelo tutor, que tem ainda de contratar um seguro específico. Mantém-se, no entanto, a formação mínima obrigatória em escola de condução (32 horas práticas e 500 km) para admissão a exame. As preocupações do ACP O ACP começa por recordar que os instrutores têm formação pedagógica, técnicas de comunicação, avaliação de risco e experiência profissional. Defende ainda que a aprendizagem prática deve continuar a ser feita em veículos preparados para ensino e com acompanhamento profissional qualificado. Para o ACP, o Estado deve manter o seu papel regulador numa área ligada à proteção da vida humana. Por isso a condução acompanhada deve ser limitada a contextos controlados, a formação em escola de condução deve manter peso central e a avaliação dos candidatos continuar a basear-se em critérios rigorosos. O ACP defende a aprendizagem em veículos preparados para o ensino e com acompanhamento profssional qualificado. Os tutores devem ser apenas um complemento Recorde-se que a condução acompanhada por tutor já era possível, mas em condições específicas. Nunca dispensou a formação obrigatória em escola de condução nem substituiu o papel dos instrutores. Funcionava apenas como complemento, com requisitos e restrições claras.•
VÁ MAIS À FRENTE. SINTA AS VANTAGENS. FREE AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL SETEMBRO 2024 | 23
24 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Nos termos do artigo 33.º e da alínea a) do n.º 2 do artigo 27.º dos Estatutos do ACP, convoco a Assembleia Geral Ordinária do Automóvel Club de Portugal para reunir na sua Sede, na Rua Rosa Araújo, 24, em Lisboa, pelas 9:00 horas do dia 27 de abril de 2026, com a seguinte Ordem de Trabalhos: Ponto Um: Deliberar sobre os documentos de prestação de contas do exercício de 2025, incluindo o relatório de gestão, o balanço e as contas individuais e consolidadas, bem como o relatório e parecer do Conselho Fiscal, nos termos do artigo 27.º dos Estatutos. Ponto Dois: Deliberar sobre a proposta de aplicação de resultados. Ponto Três: Proceder à apreciação geral da Direção e da fiscalização da Sociedade. Ponto Quatro: Apreciar e votar a proposta da Direção de alteração do Artigo 8º, nº 1 dos Estatutos, do Artigo 10º, nº 1 dos Estatutos, do Artigo 10º, nº 1 da alínea a) dos Estatutos e alteração do Artigo 10º, nº 2 dos Estatutos. Nos termos do n.º 3 do artigo 33.º dos Estatutos caso, na data e hora previstas nesta Convocatória, não esteja presente metade dos Sócios, fica desde já convocada a Assembleia Geral para reunir, em segunda convocação, quanto à Ordem de Trabalhos, às 9:30 horas, podendo deliberar com qualquer número de Sócios. Nos termos do n.º 4 do artigo 33.º dos Estatutos, os documentos referidos nos Pontos Um e Quatro da Ordem de Trabalhos podem ser consultados pelos Sócios no site do ACP (www.acp.pt), na sede do ACP ou nas suas delegações, dez dias antes da Assembleia Geral. CONVOCATÓRIA Assembleia Geral Ordinária O PRESIDENTE DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL, FRANCISCO DIAS CORTEZ FERREIRA Breves Lisboa, 26 de fevereiro de 2026 Até sempre, Ricardo Ricardo Paz Barroso chegou ao clube em 2012 para integrar a redação da Revista ACP, numa fase de renovação editorial da publicação, onde ingressou de corpo e alma. Atento, perspicaz e com um sentido de humor refinado, o Ricardo dedicou a sua vida ao jornalismo, tendo permanecido no Automóvel Club de Portugal mais de uma década. O Ricardo morreu no dia 21 de fevereiro de 2026, aos 53 anos, vítima de doença. Fica a memória e a saudade de todos os que com ele trabalharam. O ACP expressa sentidas condolências aos amigos e à família de Ricardo Paz Barroso, jornalista da Revista ACP.
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 25 ACP Podcast estreia estúdio renovado e mais acolhedor ACP Podcast tem um estúdio que representa o universo do clube O ACP Podcast tem um novo cenário. A renovação do espaço teve como objetivo melhorar as condições de gravação e criar uma atmosfera mais próxima e descontraída para convidados e apresentadores. O novo estúdio aposta num ambiente mais quente, cuidado e inegavelmente ligado ao universo do clube.A responsabilidade de estrear o renovado cenário coube ao presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, marcando o arranque desta nova fase. Neste espaço já passaram largas dezenas de protagonistas de várias áreas da sociedade, com particular destaque para o mundo automóvel. A mobilidade, a inovação e o desporto motorizado tem também destaque nos podcasts, disponíveis nos canais do clube e nas plataformas Spotify, Apple Podcasts e Youtube. ● O ACP disponibiliza um parque de estacionamento exclusivo em Fátima, no âmbito das celebrações do 13 de maio. Com capacidade para 100 lugares (90 para automóveis e 10 para autocaravanas) e equipado com instalações sanitárias e iluminação, o parque situa-se perto da Avenida Papa João XXIII e do Parque 13. Abertura: 12 de maio, às 10h. Encerramento: 13 de maio, às 18h. Faça a sua reserva através da Linha de Apoio ao Sócio através do tel.: 215 915 915ou do email apoio. [email protected] ● Parque de Estacionamento em Fátima
26 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Vodafone Rally de Portugal regressa com novidades Mais dias, mais espetáculo e emoção garantida prometem manter o Vodafone Rally de Portugal um marco incontornável do campeonato do mundo A edição deste ano apresenta um formato renovado, com 23 especiais cronometradas distribuídas pelas regiões Centro e Norte do país, num total de cerca de 345 quilómetros ao cronómetro e aproximadamente 1862 quilómetros de percurso global. Este traçado combina exigência técnica com espetáculo, Vodafone Rally Raid passando por alguns dos troços mais icónicos da história da prova. Antes do arranque oficial, as equipas têm oportunidade de realizar os últimos ajustes no shakedown em Baltar, a 6 de maio. A base operacional mantém-se na Exponor, em Matosinhos, enquanto a partida oficial acontece em Coimbra, cidade que volta a assumir um papel central no início da competição. O percurso do rali desenrola-se ao longo de quatro dias intensos. A primeira etapa Saiba tudo sobre a prova no Guia Oficial Vodafone Rally de Portugal. Disponível nas zonas de espetáculo, postos bp e nos canais ACP.
AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 27 liga Águeda, Sever do Vouga e Albergaria- a-Velha, terminando na Figueira da Foz. Na sexta-feira, o foco mantém-se no Centro, com passagens por classificativas históricas como Mortágua, Arganil, Lousã e Góis. Já no sábado, a prova ruma a Norte, com especiais em Felgueiras, Cabeceiras de Basto, Amarante e Paredes, culminando na superespecial de Lousada, muito apreciada pelo público. As decisões finais ficam reservadas para o chamado “Superdomingo”, com os troços de Vieira do Minho e Fafe conhecido pelo seu icónico salto a poderem ser determinantes na luta pela vitória. Para além da vertente desportiva, o Vodafone Rally de Portugal continua a ter um impacto significativo na economia e na promoção internacional do país, sendo reconhecido não só pela sua organização, também pelas práticas de sustentabilidade ambiental que têm sido implementadas ao longo dos anos. Assim, a prova promete voltar a colocar Portugal no centro das atenções do desporto motorizado mundial, reunindo milhares de fãs nas estradas e consolidando o estatuto do rali como um dos eventos mais marcantes do panorama desportivo nacional. • Garanta já o seu lugar Com o Rally Pass não perde o espetáculo. Toda a informação sobre Passes & Tickets em: rally-pass.com Quinta-feira | 7 Maio 2026 PARTIDA OFICIAL • 14:00 — Coimbra TROÇOS • 15:05 — SS1 Águeda / Sever • 16:05 — SS2 Sever / Albergaria • 18:05 — SS3 Figueira da Foz (Super Special Stage) Sexta-feira | 8 Maio 2026 • 06:00 — Figueira da Foz TROÇOS • 07:35 — SS4 Mortágua 1 • 08:55 — SS5 Arganil 1 • 10:13 — SS6 Lousã 1 DEPOIS DO REMOTE SERVICE • 12:25 — SS7 Arganil 2 • 13:20 — SS8 Góis • 14:03 — SS9 Lousã 2 • 15:40 — SS10 Mortágua 2 Sábado | 9 Maio 2026 • 06:00 — Exponor (Matosinhos) TROÇOS (MANHÃ) • 07:05 — SS11 Felgueiras 1 • 08:05 — SS12 Cabeceiras de Basto 1 • 09:35 — SS13 Amarante 1 • 11:05 — SS14 Paredes 1 TROÇOS (TARDE) • 14:05 — SS15 Felgueiras 2 • 15:05 — SS16 Cabeceiras de Basto 2 • 16:35 — SS17 Amarante 2 • 18:05 — SS18 Paredes 2 SUPER ESPECIAL • 19:05 — SS19 Lousada (Super Special Stage) Domingo — 10 Maio 2026 • 06:30 — Exponor (Matosinhos) TROÇOS • 08:05 — SS20 Vieira do Minho 1 • 09:35 — SS21 Fafe 1 • 10:35 — SS22 Vieira do Minho 2 • 13:15 — SS23 Fafe 2 (Power Stage) PÓDIO • 13:35 — Fafe (pódio) Programa Vodafone Rally de Portugal 2026
28 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Vodafone Rally de Portugal gerou 193 milhões de euros na economia Vodafone Rally Raid A edição de 2025 do WRC Vodafone Rally de Portugal provocou um impacto superior a 193 milhões de euros na economia nacional. Mais de metade foi em despesa direta nas regiões atravessadas pela prova do ACP O Vodafone Rally de Portugal afirmase como um importante motor económico, com efeitos no turismo, hotelaria, restauração e serviços. A edição de 2025 gerou mais de 103 milhões de euros de impacto direto, resultante da despesa nas regiões envolvidas, e mais de 89 milhões de euros de impacto indireto, associado ao valor mediático da exposição nacional e internacional do evento. O consumo realizado por adeptos, turistas, equipas e organização proporcionou ao Estado uma receita fiscal bruta estimada superior a 22,5 milhões de euros, proveniente de IVA e ISP. Segundo o estudo da Universidade do Algarve, esta receita poderá corresponder a 23,7% do impacto económico direto gerado pelo evento. Entre os turistas presentes, 64,5% eram portugueses e 36,5% estrangeiros, vindos de países como Espanha, França, Bélgica, Reino Unido, Estónia, Suíça, Itália, Grécia e Estados Unidos. Destes, 32,7% visitaram Portugal pela primeira vez. A estada média foi de 2,26 noites. A projeção mediática internacional foi igualmente expressiva, com 900 horas de transmissão televisiva, reforçando a visibilidade de Portugal enquanto destino turístico. O estudo destaca ainda o impacto positivo na imagem do país, percecionado como bonito, acolhedor e associado à natureza e à gastronomia. Para o Automóvel Club de Portugal, estes resultados confirmam o papel estratégico do Vodafone Rally de Portugal na valorização das regiões anfitriãs e na projeção internacional do país.● Estudo do Impacto do WRC Vodafone Rally de Portugal 2025 na Economia do Turismo e Formação da Imagem dos Destinos: Portugal. WRC Vodafone Rally de Portugal 2025
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