Revista ACP Dezembro
LIMITE DE IDADE PARA CONDUZIR Tenho carta de condução há cerca de meio século e que foi obtida na velha escola de condução “Unidos do Volante”. O instrutor, grande amigo do meu saudoso pai, na primeira lição que dei disse-me: “Caro Amigo, a partir desta lição, a amizade que tenho pelo seu pai, é como se não existisse… se eu for duro ou duríssimo consigo, tape os ouvidos. Percebeu o que é que eu quero dizer?” E obviamente que percebi, ao longo das lições que fiz, aqui em Lisboa, quantas e quantas vezes “berrou” comigo, e o “está a dormir” porque “isto dentro de um carro é para estar bem acordado”. E tinha razão. Os tempos agora são outros, as chamadas Escolas de Condução, com ofertas disto e daquilo têm um objetivo: ter o maior número de alunos, e o que é uma realidade, é que muitas vezes, alguns alunos, “só tiram a carta” depois de muita prática a conduzir. Mas vamos ao tema que motivou esta carta e que tem que ver com o limite de idade para conduzir. Já estou na reta final da vida, tenho 90 anos e por minha iniciativa, deixei de ir para a estrada e raramente conduzo na cidade. Sinto que com o avançar dos anos a concentração e os reflexos, importante para uma boa condução, se vão perdendo. O Governo e as entidades oficiais deveriam criar rapidamente uma lei que fixasse o limite de velocidade para deixar de conduzir. Quantas vezes se lêem e vêem notícias do género “condutor de 90 anos perdeu a vida, porque entrou na autoestrada em contramão. E não só, quantas e quantas vezes, aqui em Lisboa, deparo com condutores, já de avançada idade, dando a sensação que vão a dormir ao volante, por exemplo, na zona onde resido que é a Avenida da República. TOMAZ ALBUQUERQUE SÓCIO 15855 E¡¢ £¤ ¤¥£¤ ¦£§¨£¤ ©£§£ @ . ª« DEZ I «¬®¯ ESTACIONAMENTO, MORTES DE PEÕES E ÁLCOOL AO VOLANTE Publicou a Revista ACP na edição de outubro último três temas que me interessaram: 16 mil lugares de estacionamento à entrada de Lisboa; mortes de peões aumentaram 50% e álcool como primeira causa de acidentes rodoviários. Felicito o Observatório ACP pelo estudo sobre o primeiro tema, concordando com a necessidade de se estancar o trânsito antes de entrar na cidade. Também concordo que esses parques (dissuasores) necessitariam de transportes de qualidade, sendo certo que os cerca de 16 mil lugares encontrados seriam um alívio para o trânsito se fossem ocupados. Sobre o aumento de 50% de mortes nos peões, lamento que o estacionamento sobre passeios e a menos de cinco metros das passadeiras de peões não seja severamente punido e que os automobilistas tivessem tanto medo deste tipo de multa como têm das multas por excesso de velocidade ou excesso de álcool. As autoridades responsáveis fecham, diariamente, os olhos a estes incumprimentos. Por outro lado, o ACP podia questionar as autoridades sobre quantas multas já passaram a peões por atravessarem fora das passadeiras ou a quem até salta vedações para atravessar a estrada, em situações absolutamente perigosas. Quanto ao álcool, concordo em absoluto que seja a primeira causa de acidentes. O que ponho em causa é a forma como a fiscalização incide sobre esta infração e sobre o excesso de velocidade. Estou em crer, provem- me o contrário, de que a maior atenção por estas infrações tem mais a ver com a facilidade com que se apanham os prevaricadores e pelo dinheiro que geram do que pela necessidade de assegurar a segurança rodoviária. Imaginemos que existe uma fiscalização numa estrada em dia de nevoeiro cerrado e que, os automobilistas que circulam em sentido contrário fazem sinais de luzes a avisar da presença das autoridades. Quem vê estes sinais de luzes certifica-se de duas coisas: da velocidade a que circula e se bebeu. Se tiver bebido até é capaz de realizar uma perigosa inversão de marcha. Se não tiver bebido reduz a velocidade e segue sem receios. Pergunte o ACP às MANUEL MOGO SÓCIO 23648 DEFICIENTE SINALIZAÇÃO NA ROTUNDA MÁRIO SOARES Solicitei em junho à Câmara Municipal da Amadora (CMA) que revisse a sinalização semafórica na Rotunda Mário Soares, assim como na rotunda de acesso à CRIL que fica no prolongamento oposto, ao fundo da Av. Dr. Mário Soares. É que já assisti a muitos acidentes e confusões nestas rotundas, em contraste com a rotunda das Portas de Benfica, que tem um funcionamento fluído e sem grandes problemas, apesar do também elevado volume de tráfego. É tão má a confusão diária na Rotunda Mário Soares, com filas que por vezes chegam às Pedralvas, ou até à Av. dos Condes de Carnide, perto co Centro Colombo, para lá do cruzamento, assim como desde o acesso da CRIL pela Pontinha (última via aberta), realmente chega a ser confrangedor, perigoso e mortal. Não acredito que a CMA continue a ignorar por mais tempo uma realidade que é má e que podia evitar muitos acidentes. Não quer a edilidade da Amadora zelar também pela segurança dos que lá passam? Entretanto e JOÃO MORGADO SÓCIO 70660 autoridades quantas fiscalizações faz em dias de chuva e nevoeiro e quantas multas aplicou por não se circular com a luzes acesas. Pergunte o ACP às autoridades, quantas multas aplicou em locais onde se ultrapassa quando é proibido, quantas multas aplicou a quem circula com pneus que estão muito para lá da sua vida útil, ou, ainda quantas multas aplicou a quem muda de direção, sem sinalização prévia. As autoridades e o ACP deviam trabalhar no sentido de que as estatísticas sobre sinistralidade não se focassem apenas no número de infrações relacionadas com o excesso de velocidade e no teor de álcool no sangue. Até porque, importa realçar que o excesso de velocidade tal como é considerado nem sempre constitui um risco acrescido (nomeadamente pela cada vez maior segurança oferecida pelos automóveis) e nem sempre são a causa do acidente, apenas agrava as suas consequências. Não parece normal, nem adequado que se construa cada vez melhores estradas e melhores automóveis, se crie limites de velocidade tão baixos nas autoestradas e até nalgumas estradas.
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