Revista ACP Dezembro
20 DEZ I 2018 que os carros autónomos vão ter de resolver no quotidiano, assim como os ataques cibernéticos, isto é, a entrada não autorizada nos sistemas informáticos dos veículos ou das infraestruturas por parte de hackers. Um dos mais famosos dilemas é o Dilema do Elétrico (Trolley), um exercício de moral e ética em que um elétrico segue desgovernado numa via e vai matar cinco pessoas, a não ser que se puxe um manípulo que o desvia para uma via alternativa, matando apenas uma pessoa. Entre elas, as principais passam pela responsabilidade moral, financeira e criminal pelos acidentes; as decisões a tomar pelo veículo autónomo nos segundos que antecedem um acidente; as questões de privacidade e as potenciais perdas de empregos. Há opiniões divergentes sobre quem deve ser responsabilizado em caso de acidente, sobretudo quando há feridos ou mortos. Há especialistas que consideram os fabricantes como os responsáveis em caso de acidentes provocados por defeitos de fabrico ou mau funcionamento do veículo. Além da razão óbvia para lhes atribuir a culpa, essa responsabilização iria também encorajar os fabricantes a inovar e a investir fortemente na resolução de todos os problemas, ASTON MARTIN RECUSA AUTÓNOMOS Marcas como a Aston Martin não viram a cara ao futuro e garantem que também os seus modelos vão integrar estes sistemas. Mas não sem resistências. O vice-presidente da Aston Martin, Marek Reichman, afirmou em entrevista que a marca “será a última do planeta a fazer um autónomo”. E quando isso acontecer “é porque a legislação assim o exigiu”. A explicação é simples: Reichman concorda que os autónomos vão “travar as mortes na estrada, tornar as nossas mais eficientes, e tudo isso será fantástico”. Mas, por outro lado, recorda que a marca “faz um produto para pessoas que querem conduzir”. Há opiniões divergentes sobre a responsabilidade em caso de acidente: proprietário ou fabricante? Uma das grandes preocupações são os ataques cibernéticos para manipular os autónomos Níveis de autonomia NÍVEL 0 Não existe qualquer tipo de automação de funcionalidades NÍVEL 1 Automação de sistemas de assistência à condução, como ABS e Cruise Control NÍVEL 2 Automação parcial de funções de condução como o volante e o acelerador NÍVEL 3 Automação condicional da condução: o humano só tem de guiar se for necessário NÍVEL 4 Toda a condução está automatizada, mas o humano tem de estar habilitado a conduzir NÍVEL 5 Automação total da condução em todas as circunstâncias Que escolha fazer? Para um automobilista, o momento do acidente não permite muitas vezes fazer este tipo de escolhas, pois tudo acontece num instante. Mas a rapidez e fiabilidade de processamento dos veículos autónomos vai obrigá-los a fazer esse tipo de escolhas. A segunda preocupação, a dos ataques cibernéticos, refere-se ao facto de um carro autónomo ser um computador com rodas, que pode ser remotamente roubado, manipulado ou sabotado. Com o surgimento dos veículos autónomos nasceram várias questões ético-legais, isto apesar de poder reduzir o total de acidentes em mais de 90%. não só por uma questão de imagem de marca, mas também devido às consequências legais e económicas. Há quem também sugira a introdução de uma taxa ou de seguros obrigatórios que iriam proteger os donos e os utilizadores dos veículos perante as responsabilidades de haver vítimas em caso de acidente. Uma das primeiras etapas na transição para os veíoculos autónomos deverá acontecer no transporte rodoviário. A automação da logística, seja urbana ou de longo curso, está a desenvolver-se a grande ritmo e já há marcas como Volvo e Mercedes a mostrar as suas propostas.
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