AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 9 No caso da gasolina, o mecanismo não foi acionado, uma vez que a subida registada (7 cêntimos) ficou abaixo do limiar de 10 cêntimos definido para ativar o desconto. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, explicou que o mecanismo funciona de forma cumulativa e tem como referência os preços registados a 6 de março. Isto significa que, se os combustíveis voltarem a subir nas próximas semanas, o desconto pode aumentar proporcionalmente, acumulando-se com novos apoios sempre que o diferencial ultrapasse o limite estabelecido. O governante assegurou também que a medida foi comunicada à Comissão Europeia e manifestou confiança de que Bruxelas não levantará objeções. Segundo Miranda Sarmento, trata-se de uma intervenção extraordinária e temporária destinada a mitigar o impacto de choques externos nos preços da energia. Portugal vai libertar 10% das reservas de petróleo Mexer no ISP, contudo, pode não ser suficiente para mitigar a escalada do preço dos combustíveis. Por isso, o Governo também decidiu libertar até 10% das reservas estratégicas do país, associando -se ao acordo dos países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) que decidiram libertar nos mercados, em conjunto, 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas. “Vamos partilhar com vários parceiros à escala internacional aquela que foi uma das conclusões da reunião do G7 e vamos disponibilizar uma parte importante, em princípio 10%, das nossas reservas estratégicas para poder haver mais oferta e maior contenção no preços dos combustíveis”, anunciou o primeiroministro, Luís Montenegro. Esta é a sexta vez que a AIE coordena a liberação de reservas estratégicas de petróleo. Com a libertação dos 400 milhões de barris de petróleo, mais do que o dobro da intervenção recorde anterior da agência no início da guerra na Ucrânia, quando libertou 182 milhões de barris de petróleo bruto, pretende-se compensar o abastecimento perdido devido ao encerramento efetivo do Estreito de Ormuz. Marcas automóveis sofrem com crise A par da subida vertiginosa do preço dos combustíveis, segundo uma análise da agência DBRS, a guerra no Irão vem criar "uma nova camada de pressão macroeconómica e geopolítica” na indústria automóvel europeia. Ainda a recuperar dos efeitos da pandemia, em 2020 e 2021, da escassez de semicondutores, do impacto da guerra na Ucrânia nos preços energéticos em 2022, e quando várias marcas procuram equilibra-se entre a agressiva diplomacia económica dos EUA e a concorrência chinesa, o conflito no Médio Oriente vem perturbar novamente cadeias de abastecimento, procedimentos logísticos, aumentando custos energéticos e preços das matérias-primas. As marcas dos grupos Stellantis, Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW, e das japonesas Nissan e Honda são as mais expostas. Apoios pedidos também para o gás Apesar de reconhecer a importância da intervenção governamental, as empresas apontam limitações à medida. "Se o Governo admite intervir no ISP para amortecer aumentos previstos nos combustíveis líquidos, deve igualmente prever e acionar um mecanismo equivalente para o GPL engarrafado", defende a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). Marcas dos grupos automóveis Stellantis, Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz, Honda e Nissan são das mais expostas à Guerra no Irão
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