58 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 Abater para renovar parque automóvel Associação Automóvel de Portugal (ACAP) defende a necessidade de recuperar programa de abate para retirar das estradas portugueses este ano 40 mil veículos. A medida, se acolhida pelo Governo, iria acelerar rejuvenescimento do parque automóvel. O número de novos veículos colocados em circulação em Portugal em 2025 foi de 264.821, o que se traduz num crescimento de 6,2% do mercado automóvel. No entanto, segundo a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), este dado esconde um problema antigo. Daquele número, 225.039 correspondem a ligeiros de passageiros matriculados e 53,7% desses veículos são automóveis usados importados. Ou seja, são novos em Portugal, mas já com quilómetros percorridos noutras geografias. De acordo com a ACAP, o país continua a ter um parque automóvel envelhecido e poluente, onde 1,6 milhões de automóveis têm mais de 20 anos de idade. A associação alerta que o número de importados usados está a aumentar, dificultando a renovação do parque automóvel. Para enfrentar o problema, o organismo propõe a reintrodução do programa de abate que vigorou em 2009, fixando o objetivo de retirar da circulação até 40 mil veículos só em 2026. Por cada abate entregar-se-ia ao proprietário um incentivo de 4 mil euros (5 mil se também fosse adquirido um carro elétrico). A associação acredita que este programa “contribuiria para uma poupança energética de 3,2 milhões de litros de combustível/ano (o equivalente a 33.200 barris de petróleo) e à emissão de menos 10.800 de toneladas de dióxido de carbono/ano”. Outra medida passaria por um maior controlo nos centros de inspeção, em particular sobre os filtros de partículas, para diminuir o peso das importações de usados, assumindo que um potencial comprador não vai querer comprar um carro sem sabera sua exata condição. Entre os veículos importados, no último ano, 33% são a gasóleo, contra 6% nos veículos matriculados pela primeira vez em Portugal. Ao mesmo tempo, os motores a combustão a gasolina representaram 31% dos importados, contra 25% nas primeiras matrículas nacionais. Ora, a idade média das importações situa-se em 7,9 anos. Mais de um terço dos veículos importados (36%) tinha entre cinco e 10 anos e 28% mais de 10 anos. A idade mais elevada destes veículos acaba por contribuir para a sinistralidade rodoviária, por serem carros mais antigos. A ACAP defende ainda a criação de apoios à renovação do parque que incluam híbridos e modelos de baixas emissões. • Parque Automóvel 1,6 milhões de automóveis têm mais de 20 anos de idade. Importação de carros usados também é um obstáculo à renovação do parque automóvel Vendas de carros em Portugal entre 2019 e 2025
RkJQdWJsaXNoZXIy Mjc2MDEwOQ==