Revista ACP março

AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 47 Mercado de usados ganha força Também o mercado de veículos elétricos usados começa a ganhar expressão. Atualmente, 37% dos condutores consideram provável adquirir um elétrico em segunda mão – um aumento de 19 pontos percentuais em relação a 2025. O preço mais acessível surge como o principal fator de interesse, embora persistam algumas reservas, sobretudo relacionadas com a durabilidade das baterias e com o valor residual de determinados modelos no mercado de usados. Quem não tem já conhece Entre os condutores que ainda não utilizam veículos elétricos, a familiaridade com esta tecnologia tem vindo a aumentar. Cerca de 59% afirmam ter amigos ou familiares que possuem um automóvel eletrificado, o que contribui para reduzir dúvidas e despertar a curiosidade em conhecer esta alternativa. Também nas preferências aspiracionais se registam mudanças: a marca chinesa BYD ultrapassou a Tesla como “marca de sonho” entre os veículos elétricos, sobretudo entre os condutores mais jovens. Começa igualmente a consolidar-se o perfil do utilizador de veículos eletrificados. Cerca de 82% dos proprietários possuem o seu automóvel há menos de cinco anos. Tesla e BMW continuam entre as marcas mais presentes, embora a BYD esteja a crescer rapidamente. No que diz respeito à autonomia, 62% dos veículos apresentam atualmente valores entre 150 e 400 quilómetros. Carregamento mais acessível e digital O estudo do Observatório ACP mostra também que o carregamento tornou-se mais regular e acessível. A grande maioria dos utilizadores (86%) carrega o automóvel em casa, enquanto 91% recorrem igualmente a postos públicos. Os custos mantêm-se relativamente estáveis: até cerca de sete euros por carregamento doméstico e aproximadamente 50 euros por mês em carregamentos realizados na rede pública. Ao mesmo tempo, a digitalização ganha terreno: 39% dos utilizadores recorrem a aplicações móveis para localizar postos de carregamento ou efetuar pagamentos. Apesar dos progressos registados, a infraestrutura de carregamento continua a apresentar algumas assimetrias regionais, com maiores dificuldades em zonas rurais e na região do Alentejo. Nos condomínios, a instalação de carregadores também enfrenta limitações. Cerca de 25% dos condutores referem obstáculos à instalação e a perceção de dificuldade em carregar o automóvel em casa aumentou para 43%. O ano da viragem? No seu conjunto, os dados sugerem que 2026 poderá representar um momento de viragem na mobilidade elétrica em Portugal. Os consumidores mostram-se hoje mais informados disponíveis para considerar a compra de veículos eletrificados.Ainda assim, o preço de aquisição, a expansão da infraestrutura de carregamento e a evolução da autonomia continuam a ser fatores decisivos para acelerar a adoção em larga escala.• Universo: Residentes em Portugal com carta de condução que conduziram no último mês Base: 1200 inquiridos (amostra aleatória) Sistema de propulsão do carro que utiliza

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