AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL MARÇO 2026 | 21 Num recente relatório intercalar da Comissão Europeia, Bruxelas alerta que Portugal “não está num bom caminho” para cumprir os objetivos de segurança rodoviária da UE. Cada vez mais acidentes Os anos de 2020 e de 2021, devido à pandemia da covid-19 e aos períodos de confinamento, foram atípicos, logo registaram-se menos acidentes e vítimas que em 2019. O ministro da Administração Interna era Eduardo Cabrita, que antes do período pandémico, chegou a prometer tornar a segurança rodoviária "uma prioridade", porque ninguém se podia conformar com "mais de 500 vítimas mortais por ano na estrada". Palavras que ficaram no éter. Em 2022, com Francisca Van Dunem a acumular a pasta com o Mistério da Justiça até março, altura em que José Luís Carneiro assumiu o MAI, registaram-se 34.275 acidentes com vítimas (473 mortos; 2.436 feridos graves e 40.123 feridos leves). Foi nesse ano que o Governo recebeu a Visão 2030, documento que enquadra e sugere uma orientação para adaptar à realidade nacional o objetivo europeu de reduzir em 50% o número de mortes nas estradas. Com o atual líder do PS no MAI, os dois anos seguintes pautaram-se pela falta de decisão e pelo agravamento da sinistralidade: 36.595 acidentes com vítimas (479 mortos; 2.646 feridos graves; 42.890 feridos leves) em 2023; e 38.037 acidentes (477 mortos; 2.756 feridos graves; 44.618 feridos leves) em 2024. José Luís Carneiro chegou a garantir que iria implementar a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, porque seria “um profundo prejuízo para o interesse público” se tal não ocorresse. Mesmo assim, a ENSR não se materializou. Portugal está sem Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária desde 2020, um plano que pretendia levar à redução em 50% dos mortos e feridos graves nas estradas até 2030 O terceiro governo de António Costa caiu e em abril de 2024, o país tinha um novo governo e Margarida Blasco no MAI. Mas também nada foi decidido. Em 2025, já no segundo executivo de Montenegro, o MAI ficou sob a alçada de Maria Lúcia Amaral. A estatística mais recente sobre o último ano indica 28.975 acidentes com vítimas, entre janeiro e setembro. Destes, registaram-se 337 vítimas mortais, 2.161 feridos graves e 33.976 feridos leves. Segundo a ANSR, houve uma redução de 52% da sinistralidade até setembro do último ano. Mas essa redução não contabiliza as mortes a 30 dias, que é a métrica que permite relacionar os dados com as metas europeias. Já no primeiro mês deste ano registou-se um “grande acréscimo”, em termos homólogos. Dados provisórios indicam que este ano registaram-se 24.172 acidentes, mais 4.583 do que no mesmo período de 2025, que provocaram 70 mortos (mais oito), 278 feridos graves (menos 30) e 5.284 feridos ligeiros (menos 463). Resta saber até quando, Luís Neves ? ● Evolução do número de acidentes com vítimas entre 2019 e 2025
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