AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL DEZEMBRO 2025 | 25 O presidente da AMP defende, por exemplo, “a proibição de pesados de mercadorias para efeitos de atravessamento da área metropolitana", nos horários considerados pelo Governo (07:00 às 10:00 e 16:00 às 19:00) defende o autarca. Só há um problema, ninguém está em condições de garantir que a medida será suficiente para que o tráfego dos camiões seja desviado da VCI para a CREP. ANTRAM pede mais isenções Será a CREP uma alternativa vantajosa para os pesados? “A isenção de portagens é um incentivo importante, mas, por si só, dificilmente vai assegurar uma transferência significativa de tráfego para a CREP”, responde a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), quando instada a comentar a medida sobre a CREP/VCI. No limite, a CREP pode representar mais 23 km de trajeto para os camionistas, face à VCI. “Para que esta via [CREP] se torne uma alternativa verdadeiramente atrativa, é indispensável que a gestão das restrições na VCI seja equilibrada, que os acessos funcionem de forma eficiente e que se assegure um enquadramento operacional ajustado às exigências logísticas do setor. Só um conjunto integrado de medidas permitirá alcançar o objetivo”, acrescenta a ANTRAM, que diz reconhecer o “esforço” das entidades públicas em criar “um modelo equilibrado”. Para a associação mais representativa do setor a melhor solução tem que “sirvir os interesses da mobilidade urbana, da segurança rodoviária e da eficiência logística”. O atual volume de tráfego na VCI é um problema e os motoristas de pesados não se opõem ao uso da CREP como alternativa, CREP tem tem cinco vezes menos tráfego que a VCI A CREP foi inaugurada em 2011, mas desde o início que não conseguiu ser alternativa à VCI para evitar que o trânsito de atravessamento passasse pelo centro do Porto. Em 2024, passaram em média 26.390 veículos por dia na CREP, enquanto a VCI registou uma média de 133 mil. Ou seja, o tráfego na CREP é cinco vezes menor do que na VCI. Aliás, a A41, onde se situa a CREP, está entre as autoestradas com médias de utilização mais baixas na Área Metropolitana do Porto. O objetivo do Governo é desviar até 20% do tráfego da VCI para a CREP. • Governo prevê compensação de 10 milhões de euros para a concessionária da CREP pela isenção de portagens para camiões “desde que sejam criadas condições que tornem o seu uso efetivamente atrativo”. “A solução mais equilibrada”, sugere a ANTRAM, deve passar pela “isenção de portagens na CREP e na A4”, mas apenas para os veículos pesados de mercadorias por conta de outrem. E a haver um regime de proibição de circulação, este não deve ser “absoluto, permitindo a circulação de veículos articulados em horários de menor tráfego”. A ANTRAM defende ser “essencial” que os pesados que “necessitem de aceder à cidade para operações de carga e descarga mantenham autorização de circulação na VCI”, independentemente do horário.•
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