22 | AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL DEZEMBRO 2025 Legislação Empresas pedem “transição e não revolução” na corrida à mobilidade elétrica Locadoras defendem que a eletrificação dos automóveis deve avançar de forma gradual, alertando para desafios de clientes, custos e metas europeias cada vez mais apertadas As empresas de renting e rent-a-car, responsáveis por cerca de metade das vendas de ligeiros de passageiros em Portugal, assumiram na VI Convenção Nacional da ARAC um papel central na discussão sobre a nova mobilidade. Num mercado pressionado por metas de emissões e por incertezas regulatórias, as locadoras afirmam-se como aceleradoras naturais da transição energética, mas rejeitam que ela seja feita à força. “[A eletrificação] não pode ser uma revolução, tem de ser uma transição”, frisou Duarte Nobre Guedes, CEO da Hertz Portugal e presidente do conselho diretor da ARAC (Associação Nacional dos Locadores de Veículos). O gestor sublinhou que as frotas das locadoras se renovam anualmente, permitindo integrar veículos mais recentes e eletrificados. Porém, lembrou que nem todos os utilizadores estão preparados: “o turista que chega a um país que desconhece não sabe que rede de carregamento vai encontrar, nem conhece os trajetos. A sua adoção será sempre mais lenta”. O debate não se ficou apenas pela eletrificação. Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), trouxe um olhar crítico sobre o ritmo imposto pela União Europeia.“O futuro passa pelos híbridos, em que as pessoas andam nas cidades de elétrico e fora delas a combustão”, afirmou, defendendo uma abordagem mais pragmática. Para o presidente do ACP, “nenhum outro continente tem esta loucura dos elétricos a não ser a Europa”, insistindo que a transição deve ser mais gradual. As metas europeias para 2035 continuaram a alimentar apreensão entre gestores e especialistas. Pedro Lazarino, presidente da Stellantis em Portugal, recordou que o tempo para adaptação é exíguo: “2035, do ponto de vista do desenvolvimento do produto, é amanhã”. As multas para os construtores que falharem os objetivos,“colossais”, segundo Pedro Lazarino, agravam ainda mais a pressão. Na discussão foram também abordadas alternativas tecnológicas. O ex-ministro Mira Amaral destacou os biocombustíveis de segunda geração como forma imediata de descarbonizar as frotas atuais. O projeto da Galp em Sines, que vai produzir HVO e combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), foi apresentado como exemplo da capacidade de inovação nacional num setor em transformação. • A mobilidade do futuro depende de passos firmes e realistas, não de uma revolução que deixe consumidores e empresas para trás C M Y CM MY CY CMY K
RkJQdWJsaXNoZXIy Mjc2MDEwOQ==